quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Agosto - Mês do Desgosto?


A superstição é filha do medo.


Famoso Inferno Astral mundial. Agosto mês do desgosto. Agosto mês do Cachorro Louco - Nome extremamente carinhoso dado pelo excesso de tragédias ocorridas nesse mês -. Agosto é azar. Agosto e desgosto... e desgosto!
Há quem diga ainda que o mês de agosto é dotado de muita energia negativa, e por isso é o mês do desgosto e do azar. Um mês carregado de superstição e magia. 
Na Argentina, nossos 'hermanos' tem a superstição de não lavarem a cabeça no mês de Agosto, por acreditarem que a pessoa que lava os cabelos durante o mês está atraindo a morte!
Outros concordam em ser um mês de extremo azar por não possuir nenhum feriado durante o mês todo. Tô com eles! Coisa chata essa de um mês inteiro sem um feriado se quer.
Geralmente esse é um mês que se arrasta pelos dias. Os dias ainda estão secos, não há mais os ventos de Julho e o calor não é de verão, mas é tão sufocante quanto…

Como diria o grandioso e genial Caio Abreu:

'Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé. Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau. Fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro — e também certa não-fé, para não ligar a mínima às negras lendas deste mês de cachorro louco. É preciso quem sabe ficar distraído, inconsciente de que é agosto, e só lembrar disso no momento de, por exemplo, assinar um cheque e precisar da data.

Para atravessar agosto também é necessário reaprender a dormir, dormir muito, com gosto, sem comprimidos, de preferência também sem sonhos. São incontroláveis os sonhos de agosto: se bons, deixam a vontade impossível de morar neles, se maus, fica a suspeita de sinistros angúrios, premonições.

Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu — sem o menor pudor, invente um. Pode ser Natália Lage, Antônio Banderas, Sharon Stone, Robocop, o carteiro, a caixa do banco, o seu dentista. Remoto ou acessível, que você possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do Pacífico Sul, Grécia, Cancún ou Miami, ao gosto do freguês. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros, juras, projetos, abraços no convés à lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados.

Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se, e temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses, cristais de gengibre, gotas de codeína, se a barra pesar, vinhos, conhaques — tudo isso ajuda a atravessar agosto. Controlar o excesso de informações para que as desgraças sociais ou pessoais não dêem a impressão de serem maiores do que são.

Mas para
atravessar agosto, pensei agora, é preciso principalmente não se deter de mais no tema. Mudar de assunto, digitar rápido o ponto final, sinto muito perdoe o mau jeito, assim, veja, bruto e seco.'

'Em agosto não há gosto nem desgosto,
apenas superstições à gosto.'



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